Umberto Eco disse em uma entrevista que li há algumas semanas que não escreve apenas quando senta pra fazê-lo. Que as palavras aparecem na mente nas mais diversas situações. Por exemplo, enquanto ele aguardava a chegada do repórter que iria entrevistá-lo pra escrever a entrevista que eu li.
Pensei nisso um tempão.
Quando eu trabalhava em um pequeno jornal de Brasília, que não tinha computadores para todos, eu escrevia mentalmente, enquanto esperava o carro que demorava a me buscar em Taguatinga. Escrevia enquanto o trânsito nos segurava na EPTG. Escrevia enquanto esperava algum repórter terminar matéria na hora do fechamento pra eu poder, enfim, escrever de verdade. O tempo pra entregar meu texto, a essa altura, era escasso. Tinha que tê-la pronta na cabeça.
Este texto, então, eu escrevo mentalmente enquanto bebo umas cervejas esperando um iakisoba num restaurante em Viçosa, Minas Gerais.
Não a Minas Gerais de onde fugi aos 15 anos. Uma Minas Gerais muito diferente. Vou explicar minha nova Minas Gerais nos próximos meses aqui no blog e nas páginas de um grande jornal. Mas só aqui haverá espaço para sinceridade.
São 22h e nem estou com tanta fome assim. Comi um saco de pipocas enquanto esperava as horas habituais que antecedem o discurso do - agora ex - presidente Lula. O primeiro discurso depois que ele desceu a rampa.
Na época de Brasília; nas poucas vezes que ia fazer política, sobretudo o Lula, o terno era óbvio. Todo mundo usa terno pra fazer política em Brasília. Em Minas, porém, a galera tá pouco se fudendo. Em três semanas aqui, é a terceira vez que me vejo sozinho de terno numa cobertura. Dai parece que o pessoal dos outros veículos me acha metido. Pô; eu odeio terno...
Tudo que eu consegui foi assar numa tarde/noite típica do verão de Viçosa.
Procurei um restaurante perto do hotel, no centro da cidade. Este me pareceu bom. Pizzaria embaixo e um restaurante mais amplo em cima. Amplo em cardápio e espaço. Eram umas 30 mesas, mas só quatro estavam ocupadas. Uma família, uma "galera da firrrma", um casal e eu. Não parecia difícil de trabalhar, mas experimentei o pior serviço da história.
Primeiro, a garçonete foi super atenciosa. Escolhi o yakisoba de frango por sugestão dela. E pedi uma cerveja. Bebi. Pedi outra. Bebi. Pedi outra...
Tinha uma cara no fundo, cantando e tocando, no violão, o pior do pop rock, do reggae nacional e do sertanejo/forró universitário. Além do repertório sinistro, ele tinha umas versões próprias e toscas pras músicas, além de errar várias letras. E devia achar genial a ideia de emendar as músicas toscamente. Tipo: E eu; gostava tanto de vocêêê, gostava tanto de você... É algo assim, é tudo pra miiim...
Aff.
A garçonete simpática chegou e disse: "Só pra confirmar, seu pedido é um yakisoba de frango, né?". Era, e eu sabia que demoraria mais um bom pouco. Mas demorou muito tempo mesmo, porque, quando ficou pronto, outro garçon levou pra outra mesa QUE TINHA ACABADO DE PEDIR.
O discurso do Lula foi na formatura dos alunos da Universidade Federal de Viçosa. Eu estava já pensando num jeito de ir pra festa depois, pois ia embora só no dia seguinte. Mas o Lula estragou tudo. Seria homenageado às 9h do dia seguinte (hoje) em uma cidade vizinha. Porra, Lula, nem entrevista você deu!
Aceitei as desculpas da garçonete. Esperei mais. E não estava ruim quando chegou. Quando estava do meio pro final do prato, porém, fui ao banheiro e recolheram meu prato.
Não reclamei, só pedi a conta e fui pro hotel. Eu pensava em escrever ontem mesmo, mas cheguei tão tarde e bêbado que não deu.
O outro evento com o Lula não rendeu nada (ok, rendeu uma notinha pro site) e enfrentei as 3 horas de viagens de volta a Belo Horizonte.
No próximo post, a vida na capital mineira.
Bem vindos de volta.
Raphael Veleda at 1:40 PM - Comments:
Raphael Veleda
25 anos,
jornalista, anarquista, punk rocker, gaúcho, sãopaulino, ex-estudante de Letras,
cinéfilo, ambientalista, fora de moda, morador de Belo Horizonte (esta parte da cidade tem mudado muito)... E about o blog? Bem; literatura mal
feita,
opiniões ruins, jornalismo de quinta categoria e fotos amadoras. Tudo,
é claro, com um forte olhar machista e sexista. Com o tempo vou tentando
melhorar o nível. Se quiser reclamar
é aqui.
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